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A eliminação do Flamengo na semifinal da Copa Libertadores ganhou um novo capítulo fora de campo. Após perder a disputa por pênaltis para o Estudiantes, o clube carioca apresentou, nesta sexta-feira, uma reclamação formal à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) para contestar a escalação do zagueiro argentino Marcos Rojo no confronto de volta, realizado no Maracanã.
O Rubro-Negro questiona a regularidade da participação do defensor e solicita que a entidade analise o caso com base no regulamento da competição. A iniciativa busca o reconhecimento de uma possível infração disciplinar, que, caso seja confirmada pelas instâncias responsáveis, poderá resultar em sanções esportivas.
A controvérsia envolve a inscrição de Rojo na Libertadores. Inicialmente, a Conmebol havia rejeitado o registro do jogador, mas o Estudiantes recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS) e conseguiu uma decisão favorável que permitiu ao argentino entrar em campo na partida decisiva.
O Flamengo, porém, entende que a autorização concedida no procedimento jurídico não eliminaria a necessidade de cumprimento das exigências regulamentares da confederação sul-americana. A diretoria rubro-negra sustenta que a situação precisa ser examinada pelas instâncias competentes.
Entenda a situação de Marcos Rojo
A chegada do zagueiro ao Estudiantes ocorreu em meio a dificuldades nas negociações com o Racing, clube pelo qual atuava anteriormente. Apesar de o vínculo estar previsto para terminar em dezembro, a transferência foi marcada por divergências entre o jogador e a direção da equipe argentina, presidida por Diego Milito.
O Estudiantes acelerou a contratação diante dos desfalques defensivos para o confronto de ida contra o Flamengo. Os zagueiros Pirez e Tomás Palacios estavam suspensos, aumentando a necessidade de alternativas para o setor.
Para viabilizar a transferência, o clube desembolsou US$ 500 mil, aproximadamente R$ 2,5 milhões. O acordo também previa valores adicionais de US$ 250 mil pela eventual classificação à final e US$ 450 mil caso conquistasse o título continental.
Rojo foi registrado no Campeonato Argentino para ocupar a vaga do lesionado Gabriel Neves. Entretanto, a previsão de recuperação do atleta não atendia aos critérios utilizados pela Conmebol para permitir a alteração na lista da Libertadores. Por esse motivo, a inscrição do defensor no torneio continental foi inicialmente recusada.
Diante da negativa, o Estudiantes recorreu à CAS e obteve autorização para utilizar o jogador na partida de volta. Rojo começou como titular na lateral esquerda e permaneceu em campo até os 30 minutos do segundo tempo, quando foi substituído por Tomás Palacios.
Flamengo pede análise disciplinar
Na avaliação do Flamengo, a decisão favorável ao Estudiantes não representaria necessariamente uma aprovação definitiva da inscrição do atleta perante a Conmebol. O clube carioca também argumenta que o procedimento jurídico atribuía ao time argentino a responsabilidade pela utilização do defensor em caso de questionamento posterior.
A reclamação tem como referência o artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol, que prevê a possibilidade de derrota por 3 a 0 para uma equipe responsabilizada pela escalação irregular de um jogador.
A aplicação dessa punição, entretanto, não é automática. Será necessário avaliar as circunstâncias da inscrição, o alcance da decisão da Corte Arbitral do Esporte e a existência de eventual descumprimento das regras da competição.
A iniciativa do Flamengo não altera imediatamente o resultado da semifinal. A definição dependerá da análise da Conmebol e de uma decisão oficial sobre os argumentos apresentados pelo clube brasileiro.
Enquanto aguarda o andamento do caso, o Rubro-Negro tenta levar a discussão para a esfera disciplinar após a eliminação nos pênaltis. O episódio acrescenta um novo capítulo à disputa contra o Estudiantes, agora com o foco voltado à interpretação dos regulamentos da principal competição de clubes da América do Sul.









