Crédito da Foto: Arquivo / Assessoria
A decisão judicial que absolveu os sete réus acusados de incêndio culposo e lesão corporal grave na tragédia do Ninho do Urubu provocou forte indignação entre familiares das vítimas e a sociedade. O veredito, assinado pelo juiz Tiago Fernandes Barros, considerou que não foi possível individualizar as responsabilidades técnicas ou estabelecer relação direta entre as ações dos acusados e as mortes dos dez jovens. A sentença ainda cabe recurso.
O processo, iniciado em janeiro de 2021, trata do incêndio ocorrido em 8 de fevereiro de 2019, no alojamento improvisado da base do Flamengo, que vitimou atletas entre 14 e 16 anos. O local era composto por contêineres adaptados, sem alvará de funcionamento e com falhas estruturais apontadas em laudos técnicos.
Réus absolvidos
Foram absolvidos Márcio Garotti, ex-diretor financeiro do clube; Marcelo Maia de Sá, ex-diretor-adjunto de patrimônio; os engenheiros Danilo Duarte, Fábio Hilário da Silva e Weslley Gimenes, que participaram da montagem dos contêineres; Claudia Pereira Rodrigues, responsável pelos contratos com a empresa fornecedora dos módulos; e Edson Colman, sócio da empresa que fazia a manutenção dos aparelhos de ar condicionado.
Famílias repudiam decisão
A Associação de Familiares das Vítimas do Ninho do Urubu (Afavinu) divulgou uma nota de repúdio classificando a sentença como “um símbolo da impunidade”. A entidade afirma que o resultado enfraquece a confiança nas instituições e transmite à sociedade “uma mensagem perigosa de que falhas estruturais e omissões não serão punidas”.
“A absolvição dos acusados renova em nós o sentimento de injustiça. Seguiremos em busca de uma decisão que honre a memória dos nossos filhos e proteja outros jovens atletas”, diz trecho do comunicado.
A associação relembra que os meninos dormiam em alojamentos com janelas gradeadas, falhas elétricas e ausência de licenciamento, fatores que contribuíram para a gravidade do incêndio. “A vida dos nossos filhos tem valor incalculável. Lutaremos até o fim por uma Justiça efetiva”, conclui a nota.
Cobrança por medidas preventivas
A Afavinu também cobrou ações mais rigorosas de fiscalização por parte dos órgãos públicos e das entidades esportivas. A proposta é que todos os clubes que mantenham alojamentos para menores sejam submetidos a auditorias e manutenções obrigatórias, com acompanhamento do poder público e do Ministério Público.
O documento ainda faz um apelo à imprensa, sociedade civil e torcedores, pedindo união em defesa da segurança e da ética no esporte:
“Que o amor pelo futebol também signifique amor pela vida e pela memória dos dez garotos que sonhavam em vestir a camisa do Flamengo.”
Relembre a tragédia
O incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, começou por volta das 5h da manhã de 8 de fevereiro de 2019. O fogo teria se iniciado em um aparelho de ar condicionado e se espalhou rapidamente pelos contêineres onde dormiam 26 jovens atletas.
Dez deles morreram e três ficaram feridos.
Em 2021, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou sete pessoas pelos crimes de incêndio culposo e lesão corporal grave, baseando-se em mais de 40 depoimentos colhidos durante o processo. Em maio de 2024, o MP reiterou o pedido de condenação — agora revertido pela decisão que gerou forte comoção nacional.









