Crédito da Foto: Arquivo / Assessoria
Depois do trauma do rebaixamento, o Cuiabá Esporte Clube entrou em 2025 com o discurso de reconstrução e retorno à elite. Contudo, a temporada terminou muito antes do planejado: o objetivo do acesso não foi atingido, e o Dourado fechou a Série B apenas na 10ª colocação, reflexo de um ano marcado por irregularidade, escolhas equivocadas e um elenco que não conseguiu entregar o esperado. A diretoria já admite falhas e inicia um processo de reformulação, enquanto a torcida tenta entender como uma temporada que prometia reação acabou em frustração.
A montagem do time, desde o início, levantou questionamentos. Peças como Edu, Patrick de Lucca e Carlos Alberto chegaram com expectativa de protagonismo, mas não conseguiram corresponder dentro de campo. Em momentos decisivos, o Cuiabá tropeçou seguidamente, acumulando resultados ruins e demonstrando falta de sintonia coletiva. Os números comprovam a instabilidade: apenas duas vitórias fora de casa em 19 partidas e um saldo de gols negativo como visitante, fator determinante em um campeonato tão nivelado.
A campanha longe da Arena Pantanal foi o principal ponto fraco. Dos 43 gols marcados na competição, somente 15 aconteceram como visitante, enquanto a defesa sofreu 27 gols fora de casa — desempenho que colocou o clube entre os piores visitantes entre os candidatos ao acesso. A dificuldade de competir longe de Cuiabá evidenciou falhas estruturais, tanto defensivas quanto ofensivas.
Diante do cenário, a gestão liderada por Cristiano Dresch já iniciou mudanças profundas: jogadores com desempenho abaixo do esperado estão sendo liberados, e novos nomes, com perfil mais competitivo e experiente, estão sendo buscados. As saídas de Luan Polli e Guilherme Nogueira já foram confirmadas, e a possível negociação do lateral Mateusinho — um dos poucos destaques do ano — preocupa parte da torcida.
“Vamos fazer contratações pontuais de jogadores experientes, com esse perfil que estou falando. Precisamos de jogador que assuma responsabilidade e que esteja com vontade de acesso”,
declarou Dresch.
A falta de liderança interna foi um dos pontos mais criticados pelo presidente. Segundo ele, o vestiário careceu de jogadores capazes de assumir o protagonismo em momentos de pressão.
“Um jogador me disse que queria ficar, mas na hora de cobrar um companheiro, de chamar responsabilidade, não fez. Hoje todo clube quer jogador que lidere. Isso faltou demais aqui.“
Para 2026, o planejamento é de reformulação total. O clube pretende reconstruir o elenco, investir em reforços criteriosos e priorizar a regularidade, visando disputar Campeonato Mato-grossense, Copa Verde, Copa do Brasil e Série B com ambição renovada. A palavra de ordem é recuperar credibilidade e apresentar resultados imediatos.
A torcida acompanha tudo com esperança, mas também com desconfiança. Promessas de reformulação e retomada do protagonismo só terão valor se forem acompanhadas por ações concretas, dentro e fora de campo. O desafio do Cuiabá é mostrar que a reconstrução vai além do discurso e que 2025 servirá como aprendizado — não como um novo capítulo de declínio.
A temporada de 2026 será decisiva para medir o verdadeiro compromisso do clube com a reconstrução e para recolocar o Dourado no caminho do respeito nacional. O próximo ano dirá se o recomeço será sólido ou apenas mais uma ilusão desfeita.









