Crédito da Foto: Reprodução/Máquina do Esporte
O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, voltou a fazer críticas à situação financeira de clubes da Série A que mantêm dívidas com o Dourado.
Em entrevista ao portal Máquina do Esporte, o dirigente concentrou suas declarações no Corinthians, que ainda possui uma pendência de aproximadamente R$ 18 milhões referente à contratação do volante Raniele, realizada em 2024.
De acordo com Dresch, o clube paulista voltou a atrasar pagamentos previstos no acordo, mesmo depois de o Cuiabá recorrer à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para buscar o cumprimento das obrigações.
O mandatário mato-grossense também relembrou a política de contratações do Corinthians durante a temporada de 2024. Naquele ano, a equipe paulista anunciou 18 reforços, com investimentos estimados em R$ 172,2 milhões, considerando valores parcelados.
Na avaliação do presidente do Cuiabá, as contratações fortaleceram consideravelmente o elenco corintiano e proporcionaram uma vantagem esportiva em relação aos adversários.
"O Corinthians contratou muitos jogadores em 2024, transformou a equipe em uma equipe muito melhor do que aquela que começou o campeonato. Isso aí deu uma vantagem competitiva gigante para o Corinthians. Na época, eu usei a frase de que o Corinthians estava dando um golpe no futebol brasileiro, e foi justamente isso", declarou.
Dresch voltou a utilizar a negociação de Raniele como exemplo dos impactos que a inadimplência pode provocar no planejamento de uma equipe. Segundo ele, o Cuiabá perdeu o atleta e não recebeu integralmente os valores previstos pela transferência.
"Esse exemplo é usado até hoje, da contratação do Raniele. O Cuiabá acabou sendo rebaixado, ficou sem o jogador e sem o dinheiro", acrescentou.
Previsão de dificuldades financeiras em 2027
Durante a entrevista, Cristiano Dresch também demonstrou preocupação com o cenário econômico do futebol brasileiro para 2027. O presidente acredita que diversos clubes da primeira divisão poderão enfrentar dificuldades para realizar contratações em razão de débitos acumulados.
"A gente vai ter um ano muito turbulento, porque vários clubes serão proibidos de contratar atletas. Temos aí quatro clubes da Série A com obrigações a serem feitas dentro de 40 dias, pagamento de transferências, senão irão sofrer o transfer ban. Tem vários clubes da elite com o transfer ban ativo", afirmou.
O transfer ban é uma punição que impede uma equipe de registrar novos jogadores enquanto não resolver determinadas pendências financeiras. A sanção pode comprometer o planejamento esportivo e limitar as opções dos clubes no mercado de transferências.
Críticas aos patrocínios das casas de apostas
Outro assunto abordado pelo dirigente foi a dependência dos clubes brasileiros em relação aos patrocínios de casas de apostas esportivas. Crítico do segmento, Dresch avalia que as equipes precisarão buscar novas alternativas de receitas, diante da possibilidade de redução dos investimentos realizados pelas empresas do setor.
"As bets, se elas voltarem, vão voltar com um investimento infinitamente menor ao que elas faziam antes. Os clubes vão ter que começar a viver sem bet", concluiu o presidente do Cuiabá.









