Crédito da Foto: Divulgação / Flamengo
A crise interna no Flamengo deve ir além da recente demissão do técnico Filipe Luís. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, decidiu promover mudanças também na direção de futebol e iniciou a busca por um substituto para o diretor José Boto. Alguns nomes já foram sondados, enquanto a cúpula rubro-negra avalia qual será o novo modelo de gestão do departamento.
O atual dirigente enfrenta forte desgaste nos bastidores do clube. De acordo com relatos internos, Boto tem encontrado resistência tanto entre jogadores quanto entre funcionários no dia a dia do Ninho do Urubu. O distanciamento do elenco e os métodos adotados pelo diretor têm sido questionados nas últimas semanas, colocando seu trabalho sob análise. A informação foi divulgada inicialmente pela ESPN.
Diante desse cenário, Bap já iniciou contatos preliminares com possíveis substitutos. Um dos nomes avaliados é o do ex-zagueiro Fábio Luciano, que encerrou a carreira no Flamengo em 2009 e hoje atua como comentarista esportivo. Outro profissional lembrado foi Edu Gaspar, que está de saída do Nottingham Forest, embora ainda não tenha sido procurado oficialmente.
A definição sobre o novo responsável pelo futebol do clube depende da estrutura que será adotada pela diretoria. O presidente estuda duas possibilidades: manter um único dirigente com poderes amplos, como ocorre atualmente com Boto, ou dividir as funções entre dois profissionais — um com perfil executivo, focado no mercado e nas negociações, e outro voltado para a gestão do elenco e do vestiário. Enquanto essa decisão não é tomada, Boto permanece no cargo até a contratação do novo responsável.
Desgaste acumulado desde 2025
A condução do processo de demissão de Filipe Luís aumentou ainda mais a pressão sobre José Boto. Após a goleada sobre o Madureira, o dirigente comunicou a saída do treinador em uma conversa rápida no vestiário do Maracanã, que durou menos de um minuto. Na ocasião, o português afirmou que a decisão partiu da presidência e que ele não concordava com a medida. A postura não foi bem recebida por Bap, que passou a rever sua posição sobre a permanência do diretor.
Dias depois, durante a apresentação do novo técnico Leonardo Jardim, Boto mudou o discurso e assumiu a responsabilidade pela decisão. Segundo ele, apresentou ao presidente os motivos para a saída de Filipe Luís e indicou o treinador português como solução para o comando da equipe.
Outro episódio que repercutiu negativamente ocorreu em uma reunião com o elenco, quando o diretor classificou os jogadores como “irresponsáveis”. A declaração aumentou o clima de tensão no Ninho do Urubu.
O desgaste entre Boto e a diretoria não é recente. Desde 2025, o dirigente já enfrentava momentos delicados no cargo, como na polêmica envolvendo o vazamento de mensagens que mencionavam a possível venda do atacante Pedro por 15 milhões de euros. Também houve divergência na tentativa de contratação do atacante Mikey Johnston, barrada diretamente por Bap.
Além disso, Boto foi um dos defensores da renovação de contrato de Filipe Luís, enquanto o presidente já cogitava buscar outro treinador — opção que acabou se concretizando posteriormente com a chegada de Leonardo Jardim.
Planejamento e novas tensões
Outro ponto de atrito surgiu no início desta temporada. O planejamento do Flamengo previa utilizar a equipe sub-20 nas primeiras rodadas do Campeonato Carioca para que o elenco principal tivesse mais tempo de descanso e preparação na pré-temporada. No entanto, após a equipe somar apenas um ponto em três jogos, Bap determinou o retorno antecipado dos profissionais.
A decisão gerou insatisfação tanto em Filipe Luís quanto em José Boto. O vazamento da informação, atribuindo a responsabilidade diretamente ao presidente, irritou Bap e aumentou a possibilidade de mudanças no comando do futebol.
Contratado em janeiro de 2025 com a missão de reformular o departamento rubro-negro, Boto chegou ao clube com reputação de especialista em scouting e prometendo modernizar o modelo de contratações. No entanto, internamente há críticas sobre os resultados práticos dessa proposta, principalmente após investimentos elevados em reforços.
Com o cenário de pressão crescente e perda de apoio interno, o diretor português permanece no cargo apenas até que o Flamengo defina quem assumirá o comando do futebol para a sequência da temporada.









