Crédito da Foto: Carmem Helena
O futebol do Norte do Brasil voltará a ser representado na elite nacional após 21 anos — e com um estreante na era dos pontos corridos. O Remo garantiu seu retorno à Série A após 32 anos longe da principal divisão, já que sua última participação foi em 1994, quando acabou rebaixado. Desde então, o clube viveu altos e baixos, chegando inclusive à Série D em 2015. Agora, jogará pela primeira vez o Brasileirão no formato implantado em 2003.
A classificação azulina contou com um ingrediente decisivo: o Cuiabá. Para confirmar o acesso, o Remo precisava vencer seu jogo e torcer para que o Dourado superasse o Criciúma na Arena Pantanal. Mesmo sem disputar mais nada no campeonato, o Cuiabá venceu por 1 a 0 e acabou determinando o retorno do time paraense à elite.
Com a chegada do Remo, apenas cinco equipes subiram para a Série A nos pontos corridos sem nunca terem disputado o torneio anteriormente: Mirassol (estreou em 2025), Cuiabá (2021), Barueri (2009), Ipatinga (2008) e Brasiliense (2005).
Em 2026, o Leão do Norte fará sua 17ª participação na primeira divisão. A última vez que o Pará teve um representante na elite foi com o Paysandu, em 2005. Nesse intervalo, o Remo percorreu todas as divisões do futebol brasileiro — Série B, Série C, Série D e até anos sem divisão nacional.
Um dos capítulos mais difíceis de sua história aconteceu em 2008, quando a equipe não conseguiu terminar entre os 20 primeiros da Terceira Divisão. Com isso, precisou disputar uma vaga para a recém-criada Série D de 2009, mas, ao ficar apenas em terceiro lugar no Campeonato Paraense, ficou sem divisão e encerrou suas atividades por alguns meses. Em 2010, não conseguiu o acesso à Série C e novamente ficou sem série em 2011.
Após bater na trave por três temporadas seguidas (2012, 2013 e 2014), o acesso à Série C finalmente veio em 2015, com vitória sobre o Operário-PR, diante de um Mangueirão lotado.
Entre 2016 e 2020, o clube permaneceu na Série C. Em 2020, conseguiu o retorno à Série B ao superar o Paysandu em clássico decisivo, mas permaneceu apenas uma temporada: precisando de oito pontos em 11 rodadas, fez apenas seis e voltou à Série C.
O caminho de volta ao segundo escalão só foi retomado em 2024, quando conquistou novo acesso. E, em 2025, a campanha foi consistente: o Remo utilizou três treinadores ao longo da Série B — Daniel Paulista até a 10ª rodada, António Oliveira até a 27ª e Guto Ferreira, que assumiu na 29ª e conduziu a equipe até a vitória por 3 a 1 sobre o Goiás, que sacramentou o retorno à elite.
O Leão Paraense encerrou a Série B de 2025 na quarta colocação, somando 16 vitórias, 14 empates e oito derrotas — resultado que devolve ao clube seu protagonismo e ao Norte, sua presença na Série A.









